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Cotidiano

Guarda-chuva se aposenta após 40 anos de serviços emocionais

Depois de quatro décadas abrindo em todas as despedidas de porta, o guarda-chuva azul da família Amorim pendura a haste.

Ficção·
Céu nublado sobre paisagem montanhosa

Comprado em 1986 numa loja de ferragens que já nem existe mais, o guarda-chuva azul da família Amorim acompanhou três gerações até a porta de casa. Abriu-se em enterros, em primeiros dias de aula, numa formatura debaixo de toró e, pelo menos duas vezes, em despedidas que ninguém mais lembra os detalhes — só o barulho da chuva.

Na última quinta-feira, ao ser aberto para uma saída qualquer, recusou-se a fechar direito. “Ele simplesmente disse que não dava mais”, resumiu Beatriz Amorim, que herdou o objeto da avó. A família decidiu não jogá-lo fora: ele agora descansa atrás da porta, aberto, secando para sempre um tempo que já passou.

Um guarda-chuva novo já foi comprado. Ainda não recebeu nome.

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